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16 Dezembro 2017

Em 1997, o SASOP criou um Programa de Desenvolvimento num importante ecossistema da Bahia, a Mata Atlântica, tendo como estratégia principal a implantação de sistema florestais diversificadas

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“Seja uma semente do novo”, diz Leonardo Boff para cerca de 500 pessoas em evento promovido pelo SASOP e pela CESE, em Salvador.

Da Crise à Esperança: Novos Caminhos para um Mundo do Bem Viver foi o tema que trouxe o Professor e Doutor em Teologia, Leonardo Boff, à Salvador. O evento, promovido pelo Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP) e pela Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), com apoio do Museu de Arte da Bahia (MAB), aconteceu ontem dia 25 de maio (quinta-feira), no auditório do MAB.

O Diálogo com Leonardo Boff reuniu cerca de 500 pessoas, entre professores, estudantes, religiosos, representantes de organizações, movimentos sociais e poder público, além de profissionais liberais. O objetivo do evento foi levantar reflexões e debates sobre os desafios e as possibilidades para a construção de um projeto de desenvolvimento de inclusão e de justiça social e ambiental, diante dos retrocessos políticos, sociais e ecológicos vividos atualmente no Planeta.

O encontro teve início com uma fala sobre a crise, que, para Boff, é uma grande crise de civilização, gerada pelo capitalismo. “As grandes corporações e o capital financeiro estão por trás do golpe parlamentar no Brasil. A mesma coisa que fizeram no Paraguai, na Venezuela, estão fazendo no Brasil. Quando surgem governos mais progressistas, eles tratam de agir. É o golpe do neoliberalismo”, explica.  Boff aponta ainda que o projeto pautado pelo neoliberalismo no Brasil é selvagem e sacrifica o povo. “Querem um Brasil menor, um Brasil para poucos. A ética não conta para eles. Só o que é materialista, econômico. O projeto que temos que lutar é de um Brasil para todos. Temos que ter nossa própria tecnologia, a nossa soberania com nossos próprios recursos, com sustentabilidade. Somos vítimas do capital. Passamos de uma sociedade com mercado para uma sociedade de mercado, onde os bens e serviços da natureza – os índios chamam de bondades da natureza - estão cada vez mais esgotados. O capitalismo encontrou um limite que é o esgotamento da natureza, mas encontrou a forma especulativa que é o dinheiro reproduzindo dinheiro.”, reforça.

Para o ele, a possibilidade de superação desse sistema que foi internalizado e naturalizado pelos povos de todo o mundo deve ser inspirada por uma mudança de estrutura de produção, que considere a natureza, o solo, as pessoas. Segundo teólogo, a Encíclica da Ecologia Integral, elaborada pelo Papa Francisco, não foi escrita apenas para os cristãos, mas para toda a humanidade. “Precisamos salvar a nossa “Casa Comum”, como diz o Papa, a única casa que temos. Mas podemos mudar nossa forma de viver, nosso modo de habitar a terra, ir na direção do futuro.”, argumenta.

Boff ressalta ainda o tipo de mundo que se vive hoje tem que acabar porque ele é altamente destrutivo. “A economia da humanidade vai ser erguer pela ecologia e pelo equilíbrio de todos os elementos, com a natureza e não contra a natureza.  O Brasil pode ser uma potência hegemônica porque é onde mais tem água doce no mundo. Pode ter a mesa posta para o mundo inteiro. Podemos ter isso desde que a economia se oriente pela ecologia”, diz.  

O teólogo aponta ainda que o caminho para resgatar a esperança depende de cada um. “Seja uma semente do novo. Comecem vocês a criar o novo. É da semente que vem as raízes, as copas, os troncos. O pior que podemos fazer é não fazer nada. Como nunca antes, a história nos conclama para um novo começo, para um modo sustentável de viver. Todo ser humano tem direito à terra, teto e trabalho. Não podemos esperar nada de cima, porque de cima só vem exploração”.

De acordo com Nélia Nascimento, historiadora e representante da organização não governamental, Centro de Estudos e Ação Social (CEAS), a palestra de Leonardo Boff trouxe uma análise de conjuntura e da crise para além da esfera política, mas focando a esfera econômica. “Ele foi bastante didático quando faz uma trajetória da crise do capitalismo desde o ano de 2009, passando pela relação entre a China, a Rússia e os Estados Unidos, até chegar na nossa responsabilidade para a mudança. Ele trouxe um caminho a seguir para quem está sem perspectiva de que a mudança é possível”, conclui.

Segundo Carlos Eduardo Leite, coordenador geral do SASOP, foi um acerto a escolha do tema, principalmente, pelo momento ser de enfrentamento da crise, com muita resistência e criminalização dos movimentos sociais. “Falar em esperança e pensar em novos caminhos é sempre difícil, mas é necessário. Precisamos enfrentar o momento e pensar em momentos de superação. Por isso, uso o verbo ‘esperançar’, que é agir no sentido de cultivar a esperança, a partir de um olhar novo, de caminhos novos, esse foi um elemento muito importante no contexto do nosso ‘Diálogo com Boff’”.

Caê, como é conhecido, afirma que outro ponto fundamental foi a escolha do do palestrante, já que Leonardo Boff é um teólogo, filósofo, assessor dos movimentos populares e grande defensor dos direitos humanos no Brasil. “Ele também é uma pessoa que pensa globalmente, pensa de forma planetária, de forma holística, de forma integral. Ele fez um grande relato sobre o quadro internacional, mostrando que a crise não é só brasileira, mas global, inclusive civilizatória, e mostra o quanto a hegemonia está fora das mãos do sistema político. Quem realmente domina são as grandes empresas, o capital financeiro, especulativo. Foi um exercício de aprendizado coletivo. Ele aponta saídas de esperança e passa em um caminho de esperança em nos olharmos e termos um novo olhar sobre a nossa participação nesse processo, nesse padrão alto grau de produção e consumo. Quando ele diz que precisamos agir com a mente e com o coração para sair dessa crise, é a gente tentar construir uma consciência crítica sobre a realidade menos emotiva e olhar com nossos instintos na dimensão do humano, da solidariedade, da ética, do bem viver, integrado com a natureza e com as outras pessoas.”, diz.

Para o SASOP, Carlos Eduardo ressalta que o encontro foi importante na medida em que promoveu um debate para além da Agroecologia. “O SASOP tem uma identidade na Agroecologia, é uma entidade que nasceu com propósito de pensar um novo modo de vida no campo, estamos inseridos no movimento agroecológico brasileiro, mas também estamos num contexto mais amplo. Dialogar com a população de Salvador, numa parceria com a CESE, e pensar qual é o papel da Agroecologia nesse contexto mais amplo foi um grande aprendizado. Não podemos estar focados só num modo de vida da agricultura brasileira, mas como o desenvolvimento de uma sociedade sustentável passa pela Agroecologia, pensando que temos outros elementos em jogo, muitos mais amplos do que o paradigma Agroecológico”, avalia. 

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