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19 Novembro 2017

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Sementes do Semiárido foi o tema do II Encontro Estadual de Sementes acontece em Juazeiro, Bahia

Sementes do Semiárido. Este foi o tema do II Encontro Estadual de Sementes, que aconteceu nos dias 28 e 29 de setembro, no Centro de Formação Dom José Rodrigues, em Juazeiro (BA). O evento, que reuniu cerca de 100 participantes, de 12 microrregiões do Estado, foi organizado pelo SASOP, por meio da Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA Bahia). O encontro integrou o Projeto “Sementes do Semiárido” que vem sendo executado pelo SASOP no Sertão do São Francisco e mais três municípios da região desde 2015.

A programação contou com a presença de representantes da ASA, da Embrapa Semiárido, da Univasf, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), da Secretaria de Desenvolvimento Rural da Bahia (SDR), além de uma representante dos/das agricultores/as, numa mesa que levantou os principais desafios da produção e conservação das sementes crioulas na região, também conhecidas como sementes da paixão ou da fartura.

Para uma das participantes da mesa, a pesquisadora da Embrapa Semiárido, Aldete Fonseca, um dos desafios é a comercialização dessas sementes, uma vez que o mercado de sementes no Brasil é dominado por duas multinacionais. Ela ressalta ainda a necessidade de investir em pesquisas relacionadas ao assunto, pois hoje se trabalha a partir da sabedoria popular, mas há a necessidade de sistematizar todo esse conhecimento empírico para assim garantir mecanismos que assegurem a produção e comercialização dessas espécies. Para Aldete, se faz hoje muita pesquisa voltada para o agronegócio, mas “a gente também precisa [de pesquisa] para agricultura familiar”, defende.

O representante da Bahiater/SDR, Dário Nunes, mencionou a atenção que o governo do estado da Bahia tem dado a essa temática, potencializando ações e projetos voltados para agricultura familiar e em especial a conservação de sementes. Na oportunidade, Dário divulgou o edital de apoio a ações de sementes crioulas, lançado pela SDR. “A gente sabe que a semente armazenada pelas famílias é importante, a gente precisa um pouco ampliar essa conservação, sobretudo essa disponibilidade de semente”, destaca Dário, apontando para uma perspectiva do fortalecimento dos Bancos de Sementes no Território Sertão do São Francisco, na Bahia.

Ao longo dos debates, agricultores e agricultoras fazem questionamentos e trazem contribuições acerca de suas vivências práticas que garantem a manutenção da tradição de cultivo de sementes naturais, sem uso de agrotóxicos ou técnicas de melhoramento genético. A agricultora Valdeci Nunes, do município de Serra Dourada, no Oeste da Bahia, cita que muitos cultivos em sua região dispensam alguns cuidados específicos, a exemplo do uso de adubos. Mas há também muitas vezes a necessidade de algumas iniciativas básicas: “o agricultor tem que ser experimentador também”, diz Adriano Lima, da comunidade de Marrua, município de Macururé, ao relatar que sentiu a necessidade de fazer uma melhor preparação do adubo orgânico quando viu que sua horta não estava progredindo conforme deveria.

Houve ainda provocações sobre a importância de também priorizar o debate acerca da conservação das sementes animais,uma vez que é um das principais atividades produtivas da agricultura familiar do Semiárido e mesmo quando se trata em agrobiodiversidade é uma discussão que ainda fica a desejar. Além disso, foi exposta a preocupação também em discutir de forma mais aprofundada como garantir a conservação de sementes diferenciadas como a mandioca, a batata doce e sementes da Caatinga, a exemplo do umbu, licuri, etc.

Durante o evento, houve ainda um carrossel de experiências de agricultores e agricultoras, socialização de relatos na plenária, discussão acerca das prioridades e encaminhamentos para fortalcer a Rede de Sementes da Bahia, além de da Feira de Sementes na Praça Cordeiro de Miranda, no Centro de Juazeiro. 

O II Encontro Estadual de Sementes contou com apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário e Brasil Agroecológico/Planapo, além da parceria da Univasf e Embrapa Semiárido.


Fonte: Comunicação Irpaa

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