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12 Dezembro 2019

O SASOP é uma organização da sociedade civil que, desde 1989, vem contribuindo para assegurar a agricultores, agricultoras, pescadores e pescadoras artesanais uma melhor qualidade de vida no campo.

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P1+2 | Apicultora é contemplada com cisterna calçadão e quer investir na qualidade da alimentação das crianças da comunidade

 

Francisca Nayara Mendonça Sousa mora na comunidade Intendência, município baiano de Pilão Arcado. Aos 26 anos, foi contemplada com uma cisterna-calçadão, que ficou pronta em fevereiro deste ano (2019), pelo Projeto Uma Terra e Duas Águas (P1+2), executado pelo SASOP. Francisca diz que foi a primeira vez que foi contemplada por um projeto. “Não conhecia essas tecnologias. Só tinha a cisterna de consumo que foi construída pela paróquia.”, conta.

SASOP: Você foi contemplada com a cisterna de produção, quais os seus planos agora?

FN: Já dei início a meu canteiro para plantar verduras. Achava que era só plantar na terra e pronto, mas tem um jeito de fazer. Tem canteiro para arrumar. Queremos evoluir e ter uma alimentação boa em casa para oferecer comida de qualidade para minha filha. A gente que mora no interior, não consegue frutas e verduras o ano todo nos mercados. Tenho uma filhinha de 3 anos, a Larissa, e quero poder plantar alimentos saudáveis para cuidar da saúde dela e também poder oferecer às outras crianças da comunidade. Não é para vender. Quero que todos tenham esse hábito. Na escola a alimentação é muito fraca. A gente quer ter saúde e ensinar os filhos a comer de tudo. A garantia da gente aqui é o feijão e o milho, mas não pode ficar só nisso. Tem que ter diversidade. A gente não tem fruta aqui e as crianças acabam tomando suco de pozinho porque é o que dá para armazenar.

SASOP: Além da cisterna, você foi contemplada com o fomento. Em que irá investir?

FN: Escolhi ser apicultora. Quero crescer profissionalmente, ter uma profissão. Primeiro pensei na criação de cabras, mas, porque começar algo novo se já trabalho com as abelhas no negócio do meu sogro? Ele tem as caixas de abelha e trabalhamos com ele. Eu e meu marido, Cleitiano. Mas, a gente ainda depende dele para trabalhar. Ele que tem todo o material. A renda da família vem daí e do trabalho na roça. Tenho umas poucas cabras e umas galinhas que dá para vender os ovos, mas as abelhas é um trabalho que gosto e é uma fonte de renda certa.

SASOP: Que aprendizados a construção da cisterna gerou?

FN: Minha cisterna virou uma filha. Tenho que cuidar muito bem dela. É o nosso futuro. A gente é responsável por receber o pedreiro, participa de todo o processo, carrega areia, água e, quando está pronta, ela enche e aquela água se torna vida. Outra coisa que aprendi é que eu criava as galinhas soltas, mas agora tenho de construir um galinheiro para elas não destruírem os canteiros. Aprendi como é importante preservar para a criar abelha, não é bom colocar fogo na roça nem desmatar. Se a gente queima a roça, mata o solo e à longo prazo ele não vai dar mais nada. Aprendi a reconhecer quando um cabrito está anêmico. Agora sei fazer vermífugo natural, a produzir ração de galinha. A gente se acomoda e não pesquisa, vai correndo na farmácia, podendo ter tudo na mão, mais natural. Nunca que soube que a casca do umbuzeiro é cicatrizante. Olha que riqueza!

SASOP: Como é o processo da venda do mel?

FN: O mel, vendemos em Campo Alegre de Lourdes. Já temos comprador lá na Lagoa do Padre. Ano passado veio um caminhão que juntou tudo na comunidade e comprou o mel de um monte de gente aqui, mas normalmente, a gente vende em Campo Alegre. Aqui são 5 hectares de terra. As casas (dela, do sogro e do cunhado) ficam lado a lado. As caixas das abelhas ficam no mato. A gente leva água, chá e rapadura para elas no tempo da seca. Quem tira mel é meu esposo e meu cunhado. As mulheres só abrem as melgueiras e encaixam na centrífuga, mas eu já vou comprar meu macacão para poder cuidas das minhas abelhas. A gente usa o fumegador com raspa de umburana só para elas ficarem mais calmas. Depois botamos tudo no lugar de novo. A gente não mexe nos filhos, não mexe na cera.

SASOP: Em que pensa em investir no futuro?

FN: A gente aqui precisa de uns cursos para aproveitar melhor os alimentos. Ano retrasado mesmo teve tanto umbu e caju, que perdeu demais lá na comunidade. O congelador não dava para guardar. Se a gente soubesse fazer uns doces, compotas, tinha gente comendo caju até hoje. Já ano passado não foi tão bom assim de fruta.

“Quero poder dar comida boa para minha filha. A gente quer ter saúde e ensinar os filhos a comer de tudo.”

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