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27 Junho 2019

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PRÓ-SEMIÁRIDO | Método Lume possibilita evidenciar desigualdade de gênero ainda presente nos agroecossistemas do Semiárido

Texto por Comunicação Irpaa | Foto por CAR/SDR/Governo da Bahia | Edição por Comunicação SASOP

Representantes de dez organizações que prestam serviço de assessoria à comunidades rurais da Bahia, por meio do Projeto Pró-Semiárido, estiveram reunidos, entre os dias 14 e 17 de maio, em Juazeiro, para o  2º módulo da formação voltada para o Método Lume: análise econômico-ecológica de agroecossistemas. O Lume é uma metodologia de avaliação desenvolvida pela AS-PTA – Agricultura Familiar e Agroecologia, organização da sociedade civil que também está assessorando a formação, que contar ainda com quatro módulos.

De acordo com Carlos Henrique Ramos, um dos coordenadores do Pró-Semiárido junto a Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), a intenção é iluminar para trazer à tona aspectos comumente invisibilizados nos processos de avaliação neoliberais. Ramos cita que foram elencados 50 casos para serem avaliados na área de atuação do Pró-Semiárido, que abrange 32 municípios da Bahia. O projeto da CAR/Secretaria de Desenvolvimento Rural/Governo da Bahia, com apoio do FIDA, é executado por organizações da sociedade civil. O SASOP é uma das entidades que atua pelo projeto, assessorando famílias nos muncípio de Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes, Território do Sertão do São Francisco. 

Um dos elementos que tem se destacado na aplicação do método Lume, por exemplo, é o papel das mulheres na consolidação do agroecossistema. Essa informação esteve presente na apresentação das/dos participantes que, entre o primeiro e o segundo módulo, aplicaram o método em nove agroecossistemas e socializaram os resultados na formação.

A integrante da Cactus (Associação de Assistência Técnica e Assessoria aos Trabalhadores Rurais e Movimentos Populares), Fabíola Araújo, exemplifica a experiência de aplicação do Lume com uma família no município de Ponto Novo, mais precisamente na comunidade de Jitirana. Ela destaca que a carga de trabalho que a mulher possui foi algo que ficou evidente nos resultados. Fabíola conta que a partir do gráfico construído para ilustrar as atividades desenvolvidas pela família para manter a Unidade Produtiva foi uma surpresa o agricultor perceber que a agricultora possuía tantas atividades, sobretudo no tocante às tarefas domésticas.

“Essa metodologia é fantástica por causa disso, né? Faz com que a pessoa, o próprio agricultor e agricultora, visualizem coisas que eles estavam vivenciando ali a todo momento e antes passava despercebido”, avalia Fabíola Araújo, que também se refere ao Lume como “um método diferente de tudo que a gente já viu até agora”. Ela diz que o referido método permite visualizar as atividades desenvolvidas, a força de trabalho, as redes de comercialização, pontuando assim pontos positivos e negativos a serem melhorados.

Quanto à invisibilidade do papel da mulher, a consultora da AS-PTA, Cinara Del’Arco, diz que isso é muito comum no processo de análise do agroecossistema familiar, apesar dela ter uma dedicação até maior, como as experiências apresentadas na formação tem apontado. Para ela, isso é fruto da “cultura machista, patriarcal, que valoriza aquele trabalho que teoricamente é o que gera a renda”, sem considerar que a contribuição da mulher é indispensável para isso. “Esse método permite fazer uma análise qualitativa e uma análise quantitativa (…) e nessa análise qualitativa a gente observa algumas dimensões e dentro dela a questão de gênero”, pontua.

O método reúne dados, informações, que devem ser posteriormente trabalhadas nas visitas de assessoria técnica, no sentido de ajudar a família a melhorar a relação com o próprio agroecossistema, a fortalecer a relação de justiça social entre as/os membros da família e a enxergar melhorias na geração de renda, na valorização das práticas agroecológicas e, assim, contribuir com a qualidade de vida no Semiárido.

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