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12 Dezembro 2019

A agroecologia valoriza a cultura local, os hábitos, costumes e necessidades diferentes, além de promover autonomia dos produtores, que se organizam socialmente, assumem a promoção do desenvolvimento

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CBA | Congresso Brasileiro de Agroecologia propõe diálogo entre conhecimentos diferentes e essenciais para as lutas sociais

 

Com o lema “Ecologia de Saberes: Ciência, Cultura e Arte na democratização dos Sistemas Agroalimentares”, encontro acontece entre os dias 4 a 7 de novembro, na Universidade Federal de Sergipe

 

“É circular a imensidão. É circular. É circular a palma da mão. É circular. A solidão, o silêncio. A partida, o Sim e O não. O cordão grão da vida e a missão. De chegada e saída. É circular. É circular a folha no vento. É circular. É circular o tamanho do tempo. É circular. O novo, a mãe, coração, som da vida e o girassol. A leitura do disco e a visão da maior das estrelas. É circular”.
(Circular – letra de Luiz Guima e Camila Costa)

 
Encantamento e comunidade. Estes são os fios que tecem a preparação do XI Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA) no território Sergipano. Seja nos encontros de planejamento da Comissão Local, nas atividades e processos preparatórios organizados em instituições de ensino, pesquisa e extensão, nas feiras agroecológicas e praças públicas das cinco regiões do país: o CBA já começou.

Com a sua culminância entre os dias 4 a 7 de novembro de 2019, o congresso será realizado na Universidade Federal de Sergipe (UFS), campus São Cristóvão, com o lema “Ecologia de Saberes: Ciência, Cultura e Arte na Democratização dos Sistemas Agroalimentares”. O conceito de “Ecologia de Saberes” está relacionado à proposta de diálogo entre diferentes conhecimentos que podem ser considerados essenciais para o avanço de lutas sociais, a exemplo da busca pela soberania alimentar. Uma outra perspectiva de ciência, pautada na construção coletiva do conhecimento, que escuta seus diferentes sujeitos.

Teia da vida - Toda a programação foi elaborada com esse objetivo e traz o  formato em “teia”. A metodologia tem a proposta de aproximar as práticas, exercitando escuta, colheita e partilha de conhecimentos e experiências, inspirada nas proposições da "Pedagogia do Território", de Raquel Rigotto, e da Pedagogia Griô, de Líllian Pacheco e do Griô Márcio Caires. A programação do congresso traz como diferencial uma interação de diferentes saberes em espaços plurais de diálogo, possibilitados pelo formato em teia, onde todas as atividades, de alguma forma, se conectam.

Essa interação será a partir dos Ambientes de Diálogo, como os Tapiris de Saberes, nos quais serão apresentados trabalhos científicos e relatos populares; Ambientes Permanentes, onde estão inclusos a Feira de Saberes e Sabores, o Terreiro de Inovações Camponesas, a Cozinha das Tradições, o Espaço Ciranda Infantil e o Espaço de Cuidados Dona Chica; Ambientes de Interação Agroecológica, do qual fazem parte as oficinas autogestionadas, vivências, rodas de conversa, intervenções artístico-culturais, lançamento de livros e o Festival Internacional de Cinema Agroecológico; e os Ambientes Identitários e Organizativos, como plenária de mulheres, de juventudes, indígenas e de agricultoras e agricultores experimentadores, Assembleia da ABA-Agroecologia, entre outros. As Conferências - de abertura, conjuntas e despedida - farão a costura dos temas debatidos nos diferentes espaços do congresso, trazendo uma síntese dos acúmulos gerados.

Com a presença cada vez mais marcante de agricultoras/es, estudantes e representantes dos povos e comunidades tradicionais, os CBAs também estão em transição, aprendendo com a prática dos povos e dos movimentos sociais, dialogando com uma diversidade grande de sujeitos coletivos envolvidos com o fazer da Agroecologia enquanto ciência, prática e movimento. Ao todo, foram inscritos 2.800 trabalhos, entre resumos expandidos e relatos de experiências técnicas e populares, que serão apresentados nos “Tapiris de Saberes”, ambiente de diálogo preparado especialmente para garantir a Ecologia de Saberes que estampa o lema do CBA. A estimativa é de que cerca de 4 mil pessoas de todo o país participem dessa culminância.

Todas as informações referentes ao XI CBA podem ser encontradas no site oficial do congresso: www.cbagroecologia.org.br
 
Agricultura familiar camponesa: alimentação sem veneno - No Espaço Território da Alimentação, no XI Congresso Brasileiro de Agroecologia (CBA), uma rede de cerca de 40 famílias sergipanas de agricultoras e agricultores camponeses fornecerá nove toneladas de alimentos que serão utilizados na preparação dos cafés da manhã, almoços e jantares ofertados durante os quatro dias do CBA.

Para compor um cardápio nutricionalmente equilibrado, as/os agricultoras/es fornecerão ovos, queijo, leite, feijão, arroz, hortaliças, verduras, carnes, entre outros. O cardápio, que também contará com opção vegana, foi pensado depois do levantamento do que é produzido pela agricultura familiar camponesa sergipana, junto às famílias fornecedoras. O preço de venda dos alimentos foi definido de maneira coletiva pelas próprias famílias agricultoras, integrantes da rede de produção e fornecimento.

Em torno de 50% dessas refeições serão comercializadas. Os outros 50% das refeições serão destinadas às pessoas voluntárias e convidadas, com direcionamento especial às agricultoras e aos agricultores que estarão participando do congresso. A opção vegana ocupará 30% das refeições, desmistificando a ideia de que é preciso abrir mão dos aspectos culturais quando se opta pela alimentação vegana.

CBA Nordeste - Desde 2003, o CBA vem sendo realizado com participação ativa e ampla de instituições de ensino, pesquisa e extensão e sociedade civil organizada envolvida com as demandas da agricultura familiar e lógicas familiares de produção em geral. Inicialmente pensado como espaço de valorização da agroecologia como ciência, o CBA vem se fortalecendo como verdadeiro espaço de diálogo entre os conhecimentos científicos e práticos, no Brasil e no mundo.
 
A realização da décima primeira edição do CBA, pela segunda vez no Nordeste, mais especificamente no Estado de Sergipe, é de grande importância na afirmação do congresso e na construção do conhecimento sob a perspectiva da agroecologia em sua relevância nacional. Ao mesmo tempo expressa o fortalecimento das numerosas experiências agroecológicas das famílias agricultoras, movimentos sociais e das instituições de ensino, pesquisa e extensão. Além disso, ressalta a importância dos territórios na preservação de nossa biodiversidade e riqueza étnica e cultural e fortalece redes agroecológicas e de produção de conhecimento, bem como o encontro de pesquisadoras/es, povos e comunidades tradicionais e gestoras/es públicos.
 
O XI CBA acontecerá em convergência com a Semana Acadêmica da UFS, tanto do ponto de vista metodológico da programação quanto do ponto de vista estrutural, da ocupação dos espaços da universidade. Em diálogo com o reitor da UFS, Ângelo Antoniolli, firmou-se essa parceria, tendo como horizonte promover a maior visibilidade da produção de conhecimento no espaço da universidade pública, gratuita e de qualidade.
 
A construção do congresso se desenvolve a partir de encontros, oficinas e espaços formativos entre a Comissão Local, a Rede Sergipana de Agroecologia e ABA-Agroecologia, promotoras do CBA e da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). Com o objetivo de distribuir melhor as demandas e ações preparatórias, a Comissão local subdivide-se em cinco comissões: Técnico-Científica; Captação de Recursos e Parcerias; Metodologia; Infraestrutura e Logística; e Comunicação, Arte e Cultura.

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