Povos do Semiárido vão às ruas contra o golpe e em defesa dos direitos

Juazeiro (BA) sediará ato público com a presença do ex-presidente Lula nesta segunda-feira (11) em defesa da continuidade

Povos do Semiárido vão às ruas contra o golpe e em defesa dos direitos

Por Gleiceani Nogueira e Ylka Oliveira – Asacom

 

Agricultoras e agricultores familiares do Semiárido se reunirão nesta segunda-feira (11), na Orla de Juazeiro (BA), a partir das 16h, no ato público “Semiárido contra o Golpe – Nenhum direito a menos” para denunciar o golpe que culminou com o afastamento da presidenta Dilma Rousseff (PT) e protestar contra os retrocessos que ameaçam os povos dessa região. Os manifestantes defendem a continuidade das políticas sociais e iniciativas de convivência com o Semiárido. A mobilização deve reunir 10 mil pessoas e contará com a presença do ex-presidente Lula, segundo informações do Instituto Lula. 

“A vinda de Lula para Pernambuco veio num momento importante. A caravana [Caravana Popular em Defesa da Democracia] está passando pelas cidades de Pernambuco para denunciar o golpe, fazendo com que a população compreenda o que está em jogo, e o que os trabalhadores vão perder, principalmente os que vivem no Semiárido, que sofreram com a seca. Estamos prestes a ver tudo de novo ser golpeado. E ninguém sofreu mais do que os trabalhadores do campo ”, avalia o coordenador do MST em Pernambuco, Jaime Amorim. 

As políticas sociais implementadas nos últimos 13 anos mudaram a vida de milhares de pessoas no Semiárido. Graças à política descentralizada de acesso à água no Semiárido um milhão de famílias têm cisterna ao lado de cada para beber e cerca de 120 mil famílias podem produzir alimentos com água armazenada em diversas tecnologias sociais. Mas a política de acesso à água no Semiárido também está ameaçada. O contrato assinado entre a ASA e o extinto MDS previa a construção de 31.080 cisternas de placas para consumo humano, no período de nove meses, porém só foram repassados recursos suficientes para 54% da meta. Caso o restante do valor não seja repassado, 14.470 famílias deixarão de ser atendidas com cisternas de água para beber. A mesma situação atinge as escolas. Do total de 5 mil escolas, 1180 deixarão de receber a cisterna de 52  mil litros por falta de recursos. Isso significa um total de 108.560 famílias que deixarão de ser atendidas.

O Semiárido concentra mais de 1/3 dos estabelecimentos da agricultura familiar, responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa da população. E justamente as políticas voltadas para esse setor, como a Política de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), sofreram cortes e desmontes em poucos dias do governo interino de Michel Temer (PMDB). Outro retrocesso foi a extinção dos Ministérios de Desenvolvimento Agrário (MDA) e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) responsáveis pelas politicas nas áreas de reforma agrária e segurança alimentar.  As ações desses dois ministérios foram transferidas e fundidas para o recém-criado Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário.

Para o coordenador da ASA Pernambuco, Alexandre Henrique Pires, a população do Semiárido brasileiro por séculos foi excluída dos processos de desenvolvimento da região e do país, sendo relegada a uma condição de subdesenvolvimento. “O golpe em curso representa e já se configura com o governo interino em uma grande ameaça de voltar a essa condição, depois que mais de um milhão de famílias agricultoras e camponesas por meio do acesso a água, vive uma mudança estrutural e transformadora de sua condição de vida. Negar o direito a água e ao que foi construído ao longo desses últimos 16 anos pela ASA como metodologia de trabalho que garante a participação como uma condição indispensável para gerar essas transformações, é antes de tudo querer confinar essa população ao suplicio e à condições subumanas, para as quais não existem mais espaço na sociedade contemporânea”, afirma.

O ato está sendo organizado pela Articulação Semiárido Brasileiro (ASA) e pela Frente Brasil Popular (FBP) que é formada por partidos de esquerda e movimentos sociais como o MST, MAB, MPA, Levante Popular da Juventude, Consulta Popular, Pastoral da Juventude Rural, Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e Marcha Mundial das Mulheres (MMM). 

Ato público “Semiárido contra o Golpe – Nenhum direito a menos”
Segunda-feira, 11/07, 16h, Orla de Juazeiro (BA). 

Fonte: http://www.asabrasil.org.br/noticias?artigo_id=9624

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