Alimentação Saudável é tema de seminário em Salvador

Alimentação Saudável é tema de seminário em Salvador

Organizações da sociedade civil participaram  do Seminário Alimentação Saudável e o Sistema Nacional de Segurança Alimentar (Sisan) na Bahia, realizado no dia 18 de outubro, semana do dia Dia Mundial da Alimentação, celebrado anualmente em 16 de outubro. O evento foi organizado pela Casa Civil, do Governo do Estado, por meio do Grupo Governamental de Segurança Alimentar e Nutricional (GGSAN), em parceria com a Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Rural (SDR). 

Durante a abertura, o secretário da SDR, Jerônimo Rodrigues, ressaltou que a participação dos movimentos sociais, nos últimos anos, tem sido  fundamental para a construção das políticas de segurança alimentar e nutricional e por uma alimentação saudável. De acordo com o presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea/BA), Moacir Santos, o Seminário é uma oportunidade de debate sobre a base estruturante da produção da agricultura familiar como a questão da água e regularização da terra. "Temos que debater além da questão da água, também a questão da terra. Sem terra, a agricultura familiar não tem como produzir. Temos que avançar na regularizaçao fundiária. Se o Estado não regulariza as terra, ficaremos sem área para produção de alimentos. A agroindústria e a habitação estão ocupando lugares onde antes se produzia comida. Precisamos garantir terra para produção de alimentos saudáveis", alerta. 

Carlos Eduardo Leite, coordenador geral do SASOP e membro da Articulação de Agroecologia da Bahia (AABA), marcou presença na primeira mesa redonda Estratégias integradoras para a estruturação de redes territoriais de produção, abastecimento e consumo de alimentos saudáveis: ações e desafio dos para o Governo da Bahia. Leite abordou em sua fala questões que envolvem a produção e o abastecimento de alimentos saudáveis e os desafios para a sociedade civil e para a agricultura familiar diante de um contexto de avanço do agronegócio.

O agrônomo apontou a impotância de se pensar os Territórios, não apenas como unidades de planejamento de políticas públicas, mas enquanto espaços de dinâmicas econômicas, políticas, ambientais e sócio-culturais próprias. "A diversidade dos territótios precisa ser pensada quando falamos das redes de distribuição e abastecimento de alimentos. Precisamos fortalecer a abordagem da produção integrada ao abastecimento e do abastecimento integrado ao consumo", reforça.

Carlos Eduardo ressaltou ainda o desafio para ampliar o consumo de alimentos saudáveis levantando a questão "O que é comida de verdade?". Para ele, enquanto representante da Agroecologia, um alimento saudável envolve relações justas de produção, sem exploração do trabalho, além da qualidade biológica, por ser orgânico em sua essência, sem trazer consigo substâncias agrotóxicas e agroquímicas ou modificações genéticas. "É necessário fortalecer os circuitos curtos de produção nos territórios, fortalecer as economias locais", diz. Ele explica que os circuitos longos de comercialização são os desenvolvidos pelas monoculturas e só favorecem os commodities. 

Leite levantou ainda os desafios que estão sendo impostos pelo Plano de Desenvolvimento Agropecuário do Matopiba, que abrangerá territórios dos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, gerando um impacto ambiental e cultural em comunidades de 337 municípios. "São 73 milhões de hectares só de monoculturas do eucalipto, soja e pecuária, que atingirá os biomas da Amazônia, Caatinga e Cerrado. Este último, onde encontramos os maiores aquíferos do planeta, com as nascentes das três maiores bacias hidrográficas da América do Sul", denuncia. 

O evento seguiu durante todo o dia com outra mesa redonda sobre as Estratégias integradoras para promoção de ações intersetoriais de Educação alimentar e nutricional e de alimentação saudável nos espaços, programas e equipamentis das redes socioassistencial, de sa'[ude e de educação: ações e desafios para o Governo da Bahia, e uma Feira Agroecológica no espaço externo ao evento.

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