Agroecologia e Democracia unindo campo e cidade
IV ENA I Seminário Temático Biodiversidade: bem comum, soberania alimentar e territorial dos povos do Brasil
A agrobiodiversidade e a sociobiodiversidade são as expressões dos conhecimentos, da cultura, da sabedoria, da história, da ancestralidade e do trabalho dos camponeses, camponesas, povos indígenas e comunidades tradicionais brasileiras. Foi por meio das técnicas de manejo, cultivo, melhoramento, conservação, troca, circulação e cruzamento das espécies que estes povos sobreviveram, garantindo, assim, os principais recursos para a vida.
Ocorre, entretanto, uma ofensiva brutal aos recursos naturais, aos territórios, aos saberes tradicionais destes povos e à biodiversidade. Tal processo transforma e se apropria deste patrimônio genético, ambiental e cultural e o transforma em mercadoria, em bens apropriáveis e negociáveis. O processo de avanços tecnológicos foi acompanhado de marcos regulatórios de concentração de tecnologias e patentes, de apropriações dos conhecimentos tradicionais, de facilitação de pesquisas e comercialização das sementes híbridas e transgênicas e de brechas para o avanço da biologia sintética e indução genética.
Mesmo assim, os povos resistem como guardiões e guardiãs da biodiversidade, fundando, criando e reinventando iniciativas de defesa das sementes crioulas, mudas e animais agroecológicos. Criam redes de proteção e articulação, desenvolvem feiras e festas de sementes, constroem mecanismos de trocas e edificam casas de sementes. Travam lutas contra as ameaças agrícolas, econômicas, legislativas e criam espaços agroecológicos e territórios livres de transgênicos e agrotóxicos, possibilitando o desenvolvimento da soberania dos povos com alimentos saudáveis e garantia de meio ambiente equilibrado para as gerações futuras.
O GT Biodiversidade da ANA propõe, portanto, um debate crítico e atualizado sobre a biodiversidade – um bem comum e elemento fundante da soberania alimentar e territorial dos povos do Brasil – e sobre as disputas no contexto contemporâneo. Ao mesmo tempo, busca anunciar as resistências cotidianas nos lugares e práticas sociais dos/as agricultores/as familiares, povos e comunidades tradicionais.
Práticas essas ancoradas em saberes e articuladas em movimento que têm muito a contribuir com a agroecologia, a soberania alimentar e a democracia no campo e nas cidades.
Experiências:
– Manejo e manutenção da sociobiodiversidade pelo Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu do Maranhão, Pará, Piauí e Tocantins.
– Guarda das sementes pelos agricultores, políticas públicas e resiliência camponesa para as alterações climáticas, a partir da Articulação do Semiárido Brasileiro.
– Territórios, financeirização e biodiversidade, a partir da Comissão dos Povos e Comunidades Tradicionais dos Pampas, no Sul do Brasil.
Data: 01 de junho de 2018, sexta-feira.
Horário: 14h às 17:30
Local: Tenda 1 - Parque Municipal Américo Renné Giannetti – Belo Horizonte – MG.