Sasop realiza encontro de formação em Educação Contextualizada no Sertão do São Franciso

Fotos: Maria de Lourdes/ SASOP

As marcas invisíveis deixadas pela pandemia de covid-19 e os muitos meses de isolamento foram o ponto de partida para a discussão sobre Educação Contextualizada promovida pelo Programa Semiárido do SASOP no Território Sertão do São Francisco nos dias 20, 21 e 22 de julho. Participaram cerca de 40 educadores e 15 jovens, em três encontros realizados nos municípios de Remanso, Pilão Arcado e Campo Alegre de Lourdes. Coordenado pela pedagoga Socorro Freitas, que é também educadora social e terapeuta integrativa, em parceria com a especialista em direitos humanos e educação em gênero Luana Rodrigues, o trabalho, feito com educadoras e educadores, começou ainda em formato virtual, no ano de 2020.

“Com a retomada das atividades presenciais, chegou o momento de encararmos juntos os impactos negativos da pandemia, com discussões e reflexões sobre como podemos nos fortalecer pessoal e profissionalmente”, explica Socorro. A proposta consiste em um conjunto de oficinas com professoras e professores, visando o fortalecimento de suas ações e instrumentalizá-los para a superação das dificuldades enfrentadas, sobretudo em virtude das sequelas deixadas pela pandemia, que ressoam em aspectos emocionais, psicológicos, relacionais e profissionais, conforme enumera a pedagoga.

Foi como resultado dessa interação que foram produzidos o e-book e o vídeo “Educação Contextualizada – Outros Caminhos Possíveis”, que trazem a sistematização dessa formação a fim de contribuir para que crianças e jovens tenham acesso a Educação Contextualizada, valorizem saberes da comunidade e ampliem seus conhecimentos sobre direitos, educação alimentar, equidade de gênero e respeito à diversidade.

Metodologicamente, a ideia propõe a realização de um levantamento de dados que começa pelo diagnóstico individual, para ver como cada pessoa se sente e como passou por esse processo, as marcas deixadas em cada uma e como isso afeta suas vidas. “A partir do momento em que os professores refletem sobre isso, entendem-se incluídos em um movimento maior, em que suas emoções são parecidas com as de outras pessoas. Isso gera mais empatia, um entendimento mais natural das diversas formas de encarar os processos das pessoas ao seu redor, sejam alunos, colegas, familiares ou de forma mais ampla na comunidade”. É uma oportunidade também para se trabalhar outros temas de forma transversal, como aqueles voltados para a discussão de gênero e raça, classe e  sexualidade, por exemplo, que dão sentido de fato às práticas do cotidiano.

Há um cuidado também em observar mais atentamente questões específicas da educação do campo, a fim de desenvolver um olhar cuidadoso de professoras e professores nesse meio. “Foram 2 anos e meio sem desenvolver as aprendizagens necessárias para meninos e meninas de diversas idades. Há muitos buracos e deficiências deixados em todos os sentidos nas vidas dessas crianças e jovens e com o retorno ao chão da escola nós nós perguntamos o que fazer diante dessa normalidade alterada?”, questiona Socorro. Ela acredita que a educação contextualizada faça ainda mais sentido em um momento como este, porque nos incentiva a valorizar a realidade das pessoas, tanto do que está dentro de si quanto do seu entorno.

É essa visão que possibilita a construção coletiva de uma rede de ideias, boas conversas, troca de experiências e vivências, capaz de dar conta de um mapeamento mais realista da vida escolar em uma dada comunidade. “De nada adianta a gente passar por um processo grave como o da pandemia e continuarmos a agir como antes”, afirma a Educadora. Mas qual seria a melhor ação para agora? A recomendação é levantar os dados locais, consolidar um diagnóstico e elaborar um plano de ação específico, que considere o dia a dia da escola também. “Esse sempre foi o objetivo da Educação Contextualizada, enxergar a realidade como é e atuar nela. Nossos encontros querem justamente ajudar na compreensão desse processo e potencializar as práticas e dar sentido ao fazer pedagógico”, arremata.

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