Documento elaborado durante seminário propõe ações concretas para o combate à fome e o fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia

A Missão Josué de Castro deu um passo importante na Bahia com a realização do seu primeiro seminário estadual, entre os dias 23 e 25 de julho, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador. O evento foi encerrado na manhã desta sexta-feira (25) com um Ato Político de entrega da Carta Política da Missão, que contou com a presença de representantes do governo estadual, parlamentares, conselhos de políticas públicas e organizações da sociedade civil.
A Carta Política da Missão Josué de Castro na Bahia reúne propostas e compromissos voltados à Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (SSAN) e reafirma a urgência de políticas públicas que garantam abastecimento alimentar, acesso à terra, valorização das sementes crioulas, produção agroecológica e fortalecimento da agricultura familiar.
“O primeiro desafio é manter esse espírito que foi construído durante o seminário”, afirmou Leomárcio Araújo, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), durante o ato de encerramento. “Fazer com que essa carta ganhe um aspecto de plano de ação da Missão Josué de Castro é um desafio no próximo período. A missão não trata apenas da fome como ausência, mas propõe uma nova perspectiva: a valorização do alimento como direito e da soberania alimentar.”
Presenças e articulação institucional
A mesa do ato contou com a participação da Superintendência de Inclusão e Segurança Alimentar da Seades, representada por Fernanda Silva; do coordenador-geral do Programa Bahia Sem Fome, Tiago Pereira; da presidenta do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional (CONSEA-BA), Débora Rodrigues; do deputado estadual Marcelino Galo (PT); e do superintendente de Agricultura Familiar, Mazinho Carneiro.
“Esse é um momento histórico. A Missão Josué de Castro representa uma mobilização coletiva em torno de um dos maiores desafios do nosso tempo: garantir comida de verdade no prato de todos os baianos e baianas”, destacou Tiago Pereira, coordenador do Bahia Sem Fome.
Para o coordenador executivo da Articulação Semiárido Brasileiro (ASA), Cícero Félix, a construção da carta é fruto de um processo intenso de escuta e articulação:
“Realizamos três dias de trabalho intenso para compreender a realidade da fome e pensar estrategicamente como a missão pode se concretizar no estado. Apresentamos compromissos da sociedade civil e propostas para o governo. A mesa política foi receptiva ao documento e se comprometeu em apoiar essa estratégia, com o alimento como elo central para enfrentar estruturalmente a fome, a pobreza e a extrema pobreza.”
Um espaço de articulação política
A realização do seminário ocorre em um contexto de recrudescimento da fome e das desigualdades no Brasil, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Para os participantes, discutir soberania alimentar é essencial para enfrentar as causas estruturais da insegurança alimentar.
“Discutir soberania alimentar é discutir o direito dos povos de produzirem e consumirem seus próprios alimentos. Isso passa por políticas públicas, mas também por vontade política e articulação social”, afirmou Carlos Eduardo de Souza Leite, coordenador do SASOP e integrante do Núcleo de Coordenação da Articulação de Agroecologia da Bahia (AABA).
A programação do seminário contou com mesas de debate, trabalhos em grupo, sistematização de diagnósticos territoriais e definição de estratégias conjuntas. A Carta Política representa, agora, um marco para que a Missão avance com ações nos territórios e dialogue de forma permanente com o poder público.
“Reconhecemos no Bahia Sem Fome a principal mediação entre a Missão e o governo estadual, e esperamos que esse diálogo fortaleça as políticas públicas já em curso e amplie os espaços de participação popular na construção de soluções permanentes para o combate à fome”, reforçou Leomárcio.
Sobre a Missão Josué de Castro
A Missão Josué de Castro é uma articulação nacional inspirada na obra do médico, geógrafo e político Josué de Castro, pioneiro na denúncia da fome como problema político e estrutural. A Missão reúne organizações populares, pesquisadores, gestores públicos e movimentos sociais para construir estratégias de enfrentamento à fome, promoção da alimentação adequada e saudável, e fortalecimento da soberania alimentar nos territórios.
CONFIRA ABAIXO A ÍNTEGRA DA CARTA POLÍTICA:


