
No dia 24 de julho, aconteceu, no Centro Social de Remanso-BA, a 4ª Oficina Municipal do Projeto Cultivando Futuros, executado pelo Sasop. O evento contou com a presença de representantes do poder público, associações comunitárias, comunidades rurais, beneficiários do ATER Biomas, da Rede Mulher e de diversas organizações da sociedade civil.
O momento integrou o processo de escuta e construção coletiva sobre a produção e a comercialização de alimentos oriundos da agricultura familiar no município. Durante a oficina, foi retomado o mapeamento dos produtos dos agroecossistemas locais, iniciado na terceira oficina. O grupo revisitou a lista de alimentos já identificados anteriormente, com o objetivo de complementar informações e garantir que nenhum produto fosse deixado de fora. Esse olhar atento permitiu reconhecer a diversidade produtiva das comunidades e sua presença nos diferentes canais de comercialização, como feiras livres, venda direta e mercado institucional.
A atividade também contribuiu para fortalecer a articulação entre agricultores e o poder público. Estiveram presentes o secretário de Governo, o secretário de Agricultura e nutricionistas que acompanham a execução do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no município. O diálogo entre esses atores foi essencial para refletir sobre os desafios e possibilidades de ampliação da participação da agricultura familiar no fornecimento de alimentos para políticas públicas, como o PNAE e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).

A coordenadora do Sasop no Território do Sertão do São Francisco, Márcia Muniz, destacou que a oficina foi também um espaço importante de resgate da trajetória de construção dos sistemas agroalimentares no município: “Sempre, em cada oficina, tem pessoas novas que não participaram das anteriores e, desta vez, também tivemos a presença de representantes do poder público. Por isso, iniciamos com o resgate da história, para que todos compreendessem o caminho já percorrido”, explicou.
Márcia também comentou a metodologia utilizada na construção coletiva do conhecimento, em que os participantes elaboraram um diagrama de fluxo: “Identificamos os alimentos produzidos pela agricultura familiar, organizamos por categorias, avaliamos o grau de importância e, depois, mapeamos os mercados em que estão inseridos — seja no autoconsumo, pequeno varejo, mercado territorial ou institucional.”
Entre os produtos mais relevantes, estiveram a carne de caprinos, o pescado e o mel, sendo o volume absorvido pelo mercado institucional ainda limitado, especialmente no caso do pescado.
A nutricionista do PNAE no município, Andressa Rodrigues, também participou da oficina e reforçou a importância do momento: “Foi uma oficina bastante pertinente e necessária. Chamou minha atenção a quantidade de produtos que temos no município. Isso é de grande importância para que possamos crescer cada vez mais na área da alimentação escolar.”
João Neto, presidente do Sindicato de Remanso, comentou que o que mais lhe chamou atenção foi o exercício coletivo de identificação dos produtos da agricultura familiar: “Achei muito bacana a gente parar para ver o que produzimos. Às vezes, o agricultor não percebe o quanto produz e o quanto isso representa em renda, seja para comercialização ou para autoconsumo. Ver aquela lista com mais de 50 produtos foi algo muito rico.”


Como encaminhamento da oficina, foi anunciado o lançamento de um livro que reúne a memória da construção dos sistemas agroalimentares de Remanso desde a década de 1970 até os dias atuais, evidenciando as mudanças ocorridas e os avanços conquistados. As políticas públicas, como o P1MC e o P1+2, foram destacadas como fundamentais para o fortalecimento da produção nos quintais e a inserção dos alimentos nos mercados institucionais:
“Principalmente o P1+2, que tem sido essencial para potencializar a produção de alimentos e criar esse elo com a alimentação escolar e outras políticas públicas”, concluiu Márcia Muniz.
A 4ª Oficina Municipal fez parte de um processo contínuo de construção participativa, que busca ampliar a visibilidade da produção local, fortalecer a organização comunitária e garantir que os alimentos da agricultura familiar ocupem um lugar de destaque nos mercados e na mesa da população de Remanso.
O Projeto Cultivando Futuros é uma realização da AS-PTA, Pão para o Mundo (Brot für die Welt) e da Rede ATER Nordeste de Agroecologia, com financiamento do Ministério Federal da Alimentação e da Agricultura da Alemanha (BMEL). Por meio da Rede ATER, o projeto está sendo implementado nos estados da Bahia, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.


