NA MÍDIA | Trabalho de agricultoras familiares ganha visibilidade com Cadernetas Agroecológicas

NA MÍDIA | Trabalho de agricultoras familiares ganha visibilidade com Cadernetas Agroecológicas

Texto: Claudia Lessa | Publicado originalmente em A Tarde Online.

A equipe técnica do projeto Cadernetas Agroecológicas promoveu, nesta segunda-feira (20), em Juazeiro, de uma capacitação sobre o uso dessa ferramenta. A formação, prossegue nesta terça (21), em Jacobina, e quarta (22), em Senhor do Bonfim, com o objetivo de fortalecer o trabalho das mulheres e valorizar a produção familiar.

A proposta é que, ao ir até as comunidades, a equipe tenha condições de melhor instruir as mulheres para inserir as informações do seu dia a dia. A ferramenta visa dar destaque e valorizar o trabalho desenvolvido por essas mulheres beneficiárias do Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), empresa vincula à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), por meio de acordo de empréstimo entre o Governo do Estado e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrário (FIDA).

Na caderneta, as agricultoras familiares registram o que produzem nos quintais produtivos, quanto é vendido, quanto é consumido e também doado. Como resultado, elas passam a ter uma melhor dimensão do volume de produção e de renda gerado, a partir das suas atividades produtivas que antes não eram registradas.

A assessora de gênero do Pró-Semiárido, Elizabeth Siqueira, explica a importância das Cadernetas Agroecológicas. "Elas são muito ricas porque não só vão sistematizar a renda monetária e não monetária, como ainda vão trazer relações de vínculos e de solidariedade. São relações que a gente não consegue contabilizar quando se olha através da economia clássica. Nós precisamos analisar por meio de uma outra lente e no projeto nós vamos analisar a partir da lente feminista”.

A técnica do Serviços de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP), Ana Celsa, uma das facilitadoras da formação, que acompanha o trabalho com as cadernetas junto às agricultoras de Camamu, falou sobre os desafios e os resultados que a ferramenta aponta: “A gente teve um grande desafio com as mulheres que não sabem ler e escrever, mas elas mesmas criaram as saídas e pediram ajuda a filhos e netos para assim sistematizar na caderneta. Uma outra questão importante foi elas entenderem a renda que é não-monetária, que é a que se tem com os alimentos que não são comprados, que são produzidos por elas”.

Além dos territórios de atuação do Pró-Semiárido, as cadernetas também serão utilizadas por técnicos da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (BAHIATER). Estima-se que cerca de 200 mulheres façam o uso sistemático das cadernetas e que as informações deem condição de aferir a renda e a diversidade da produção nos quintais.

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