Fomentar o resgate, conservação e multiplicação de sementes crioulas no semiárido baiano. Esse é o objetivo do Projeto Sementes, que está sendo executado pelo SASOP, juntamente com o Pró-Semiárido, projeto executado pela Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), vinculada à Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR)/Governo da Bahia, com financiamento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida). A proposta é contribuir com o aumento da segurança e soberania alimentar, redução dos custos de produção, identificação de guardiões de sementes e resgate de sementes da biodiversidade.
A primeira formação da equipe técnica do SASOP e dos parceiros aconteceu dias 26 e 27 de setembro, em Juazeiro (BA), com apoio da Embrapa Semiárido. Para Márcia Muniz, coordenadora do Programa Semiárido no SASOP, o projeto irá fortalacer uma rede de agricultores guardiões de sementes. "O Pró-Semiárido veio para fortalacer essa ação, dando continuidade ao que iniciamos com a ASA (Articulação no Semiárido Brasileiro). Ter o apoio do estado num momento de retrocessos como o que estamos vivendo na conjuntura política é muito importante", afirma.
O projeto atuará em 30 Territórios Rurais que foram selecionados e envolverá aproximadamente mil famílias agricultoras. A iniciativa propõe um plano de ações estratégicas na área de abrangência do projeto, que comporta 11 municípios localizados nos territórios de identidade Sertão do São Francisco, Piemonte Norte de Itapicuru, Piemonte da Diamantina e Bacia do Jacuípe.
“A agricultura hoje tem duas vertentes opostas e estamos aqui fazendo uma opção, a de valorizar a agricultura que tem conexão com a natureza. A agricultura nunca devia ter deixado de ser camponesa. O projeto tem que realçar e fazer valer isso. E nada mehor do que apostar na Agroecologia na área de atuação do Pró-Semiárido. As sementes carregam consigo o valor da resistência, da continuidade, da sobrevivência, da diversidade genética e da perpetuação. Dessa forma, os guardiões e as guardiãs de sementes crioulas vêm resgatando e preservando não só sementes, mas também saberes e práticas agroecológicas que buscam diminuir a dependência da agricultura em relação aos atuais pacotes tecnológicos preconizados pela agricultura convencional”, ressalta o subcoordenador de desenvolvimento produtivo e de mercados do Pró-Semiárido, Carlos Henrique.
A ideia do projeto é criar uma Rede de Sementes Crioulas e raças adaptadas junto aos grupos de interesse dos Territórios Rurais do Pró-Semiárido e comunidades vizinhas, mediante a implantação de processo formativo de técnicos e agricultores, o envolvimento do serviço de Assessoramento Técnico Contínuo – ATC do Projeto, bem como a viabilização de intercâmbios, feiras, festival e ampla campanha de divulgação e sistematização da experiências, buscando ampliar a diversidade de cultivos agrícolas e manutenção da agrobiodiversidade e sociobiodiversidade.
O programa de sementes crioulas do projeto Pró-Semiárido será executado em parceria com o SASOP e com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), por intermédio da Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa (CPC/Bahia). A Embrapa Semiárido apoiará na execução técnica e metodológica, além do monitoramento e avaliação.