“Agroecologia contra Fome” distribui 4,5 mil cestas de alimentos na Bahia

Ação do  SASOP em parceira com a Fundação do Banco do Brasil atinge cerca de 4,5 mil famílias de seis territórios da Bahia com alimentos da agricultura familiar

O aumento no número de pessoas em situação de vulnerabilidade social e de insegurança alimentar no Brasil tem crescido a olhos vistos. Na Bahia, já se somam cerca de 1,9 milhões cidadãos e cidadãs nessa condição, o que representa 10% do total de 19 milhões de brasileiros. De olho neste cenário de fome generalizado, o Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP) mobiliza a campanha Agroecologia contra a Fome, entre os dias 17 e 30 de novembro.

A ação une campo e cidade e está sendo organizada conjuntamente com o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), o Movimento de Organização Comunitária (MOC) e a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional na Bahia (FASE/BA), de modo a fortalecer a agricultura familiar ao doar comida para pessoas em insegurança alimentar. Serão ao todo mais de 90 toneladas de alimentos distribuídos para 4.431 famílias.

As cestas agroecológicas estão sendo distribuídas em seis territórios da Bahia, incluindo a capital. Em Salvador, nos dias 18 e 20 de novembro, foram entregues 1.431 cestas agroecológicas, para comunidades e associações como assentamento Ocupação Quilombo Paraíso, no bairro de Periperi; Movimento Periferia Viva (que abrange os bairros de Plataforma, Federação, Cajazeiras e Itapuã); Sociedade 1º de Maio, em Plataforma; Comunidade Kolping, na Boca do Rio; e a União por Moradia Popular, na Fazenda Grande IV.

Em todo o estado, a campanha segue até o fim do mês e envolve outras 42 instituições comunitárias, movimentos urbanos e sindicatos, em vários municípios, distribuídos entre os territórios do Sertão do São Francisco, Baixo Sul, Vale do Jiquiriçá, Portal do Sertão e Sisal, e vai beneficiar outras três mil famílias. A iniciativa conta com a parceria da campanha Brasileiros pelo Brasil, da Fundação Banco do Brasil, que vem mobilizando parceiros que fortalecem a agricultura familiar por todo o país. 

A dona de casa Mary Alves, 62 anos, moradora da Ocupação Paraíso, localizada ao lado do Hospital do Subúrbio, foi uma das beneficiadas pela campanha. “Quando soube que ia chegar fiquei muito feliz, pois o meu arroz já está acabando. Se não chegasse agora passaríamos por privacidade, fome mesmo. Cestas como essa, que trazem alimento saudável e agroecológicos, sem agrotóxico, são uma grande ajuda para nós que vivemos nesta condição de pobreza, principalmente, a minha família que tem cinco pessoas sustentadas com mil e cem reais da aposentadoria por invalidez do meu esposo”, conta Mary, e acrescenta que as frutas e verduras distribuídas ajudam muito na manutenção da saúde dela e da mãe de 89 anos, que vive com ela.

“Infelizmente, embora tenhamos saído do mapa da fome em 2014, voltamos pouco tempo depois e, hoje, muitas famílias no Brasil não sabem o que vão comer. Mais do que solidariedade, a fome é uma questão urgente, vital. Por isso, mobilizamos as articulações entre campo e cidade, agricultores familiares e organizações da periferia, para que possamos minorar pontualmente esse problema que tem se alastrado de forma tão avassaladora”, aponta Carlos Eduardo Souza Leite, Coordenador Geral do SASOP.

A ação busca também fortalecer a comercialização dos alimentos produzidos pela agricultura familiar, de forma agroecológica, de modo a gerar renda no campo. “Aqui na Bahia, nós nos articulamos com agricultores das regiões do Recôncavo Baiano, Chapada Diamantina, Centro-Norte e Sudoeste Baiano. Sabemos que, a agricultura familiar e camponesa foi uma das mais afetadas economicamente pela pandemia, então ações como essa são importantes tanto do ponto de vista nutricional como do econômico”, observa Saiane Santos, integrante do diretório nacional do MPA.

“Foi a primeira vez que eu recebi uma cesta de alimento que eu não consegui carregar”, conta D. Arlanda Neves, moradora do bairro Fazenda Grande IV, em Salvador. A ela, muitas outras beneficiadas fizeram coro e em praticamente todas as entregas houve tráfego de carrinhos de mão das comunidades para facilitar o transporte dos alimentos. Ao todo, são mais de 13 toneladas de arroz e de feijão, para garantir a base da alimentação do povo brasileiro, além de café camponês, flocão e outros derivados de milho criolo, farinha e outros derivados da mandioca, verduras, frutas e tubérculos, somando um total de mais de 90 toneladas de alimentos. Tudo produzido na Bahia, à exceção do arroz, que veio de Sergipe, que possui uma base produtiva maior do cereal.

Produtos da Cesta

Mais do que pensar na alimentação básica, as cestas foram preparadas para oferecer aporte nutricional com diversidade, qualidade e saúde. Cada cesta distribuída contém entre seus ítens: arroz integral agroecológico, feijão preto ou carioca, café, derivados de milho crioulo (flocão, creme de milho, mugunzá), açúcares (mascavo, demerara, rapadura ou mel), sal, farinha de mandioca, derivados e beneficiados da mandioca (tapioca, beiju, biscoitos, sequilhos ou bolo), tubérculos (inhame, batata doce e aipim), frutas (banana prata e da terra, laranja, maracujá, limão, abacaxi), ovos caipiras, verduras (cenoura, beterraba, chuchu, repolho, abóbora, maxixe, pepino) e folhosas, tudo agroecológico.

Cronograma de Distribuição por Território: 

Metropolitano de Salvador – 18 e 20/11

Sertão do São Francisco – 17, 18, 19, 23, 24, 25, 26 e 30/11

Baixo Sul e Vale do Jiquiricá – 19/11

Portal do Sertão e Sisal – 22, 23, 24, 25, 26, 29 e 30/11

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