Texto e Fotos: Bruno Machado
Pesquisa-ação da Rede ATER Nordeste mobiliza comunidade em Pilão Arcado para construção de conhecimentos sobre seus modos de vida
Na sexta-feira, dia 26/05, a equipe do Programa de Desenvolvimento do Semiárido do Sasop promoveu junto à comunidade de Jatobá, no município de Pilão Arcado-BA, a oficina de construção da linha do tempo com o histórico da comunidade, com o intuito de compreender as formas de organização dos agroecossistemas e os modos de vida local desde o início de sua ocupação.

A oficina faz parte do método LUME e integra a “Pesquisa Ação: práticas de ATER, construção de conhecimentos e sujeitos coletivos da agroecologia”. Ela surge do desdobramento de uma ação da Rede ATER Nordeste de Agroecologia a fim de construir conjuntamente um diagnóstico das comunidades, buscando identificar os dispositivos coletivos e fazer um esforço de resgate histórico que analisa um conjunto de dimensões econômicas, sociais, culturais e ambientais. A ação está sendo conduzida, com o apoio da Porticus, em seis estados do Semiárido brasileiro (PB, PE, RN, BA, CE e SE). Na Bahia há 4 organizações participantes em diferentes territórios.
“Vamos fazer essa ação coletiva junto com o estudo de alguns agroecossistemas dessa comunidade num segundo momento”, conta Márcia Muniz, coordenadora do SASOP que acompanhou e colaborou na condução do processo. Ela explica que os dois momentos se complementam. “Queremos conhecer como as famílias se organizam em seus processos de produção, quais são seus desafios, qual a relação da comunidade e das famílias com o estado e as políticas públicas, qual a sua percepção de como o estado intervém na vida e no cotidiano delas”, expõe.

O objetivo principal é unir o conhecimento das famílias agricultoras com o conhecimento científico, organizando de forma sistematizada as ações para fortalecer as experiências que possam inspirar a criação de políticas públicas para a agricultura familiar com enfoque agroecológico. É um trabalho de base, que uma vez pronto serve como fundamento para a própria equipe técnica, que pode enxergar com clareza os desafios e potencialidades da comunidade, útil no planejamento e na incidência política, porque gera elementos que subsidiam propostas para políticas públicas. “É possível perceber claramente as questões que são mais da comunidade e as que tomam dimensões maiores”, avalia Márcia.
O resgate histórico permite lançar luz sobre as ações que indicam a transição agroecológica na prática da agricultura familiar. Por isso, fizemos um esforço de mobilizar homens e mulheres de diversas idades, especialmente pessoas mais velhas, que detêm as memórias, mas é importante ter a presença dos jovens e das jovens para essa interação. O jovem Lenilton de Jesus, por exemplo, já conhecia algumas das histórias contadas e acha importante saber o que a mãe dele viveu, o que passou para poderem estar ali hoje em dia. “Nos fortalece e ajuda a valorizar o nosso local”, acredita ele. Já Dona Magnólia Pereira não conhecia a história da comunidade. “Foi de muita valia pra mim. Meu desejo é aprender cada vez mais com quem tem esses conhecimentos, que pretendo passar para meus sobrinhos”, anima-se.

Tiago Costa, técnico do SASOP que acompanha o Jatobá, observa que esta é uma comunidade bastante participativa e com características peculiares, sendo ao mesmo tempo fundo de pasto e comunidade ribeirinha. Essa combinação de fatores foi determinante para sua escolha como objeto de estudo da pesquisa. “Com este trabalho podemos observar o que a comunidade já conseguiu até hoje e o que está necessitando, quais são os problemas e tentarmos encontrar um norte para trabalhar em cima disso. Será muito útil para a assessoria técnica”, conclui.
Além da criação da linha do tempo, a atividade ainda se desdobra em mais algumas ações, como a sistematização dos conhecimentos levantados na conversa. “Essas informações serão organizadas, sistematizadas, faremos complementações, apontamentos e retornamos para a comunidades para analisarmos juntos o que foi feito”, anuncia Márcia. Nas palavras de Seu Claudemiro da Rocha, de 70 anos, descendente de antigos moradores do Jatobá que remontam há mais de um século de presença no local, este trabalho é mais uma saída para melhorar a vida daquela população. “Este é um lugar rico, cheio de água. Já teve tempo feio aqui, mas graças a Deus vencemos e estamos na luta. A vida se ficar parado fica pior, então espero que com esse trabalho a gente tenha mais resultado. Relembrar o passado e pensar um futuro melhor para as crianças”, arremata.















