Texto e fotos: ATAF
Com o objetivo de sistematizar as pesquisas realizadas sobre produção e consumo de produtos agroecológicos os jovens integrantes da ATAF (Associação de Técnicos em Agropecuária e Apoiadores da Agricultura Familiar no Estado da Bahia) construíram um banco de dados que identifica a produção das comunidades e avalia a demanda de consumo dos produtos. As pesquisas aconteceram durante as mobilizações e realização das Feiras Agroecológicas Diversidades do Sertão, que ocorreram no mês abril, em cidade de Pilão Arcado, e no mês de junho, na cidade de Campo Alegre de Lourdes, ambas semiárido baiano. Nesse período os jovens realizaram quatro pesquisas, sendo duas sobre produção e duas sobre consumo.
Durante a construção do banco de dados os jovens avaliaram a diversidade de atividades desenvolvidas nas propriedades, as formas de trabalho das famílias, as formas de comercialização dos produtos e a geração de renda com a produção. Na pesquisa realizada com a agricultora Joana de Jesus, da comunidade Malhada, Campo Alegre de Lourdes-BA, foi identificado que ela desenvolve diversas atividades, como horticultura, apicultura, bovinocultura de corte, cultivo em roçado, beneficiamento de frutas e criação galinhas capoeiras. Ela produz de forma agroecológica e os produtos são para o consumo de sua família e para venda na comunidade. Os jovens identificaram também que a agricultura perde grande parte de seus produtos devido as dificuldades de acesso ao mercado.
Ao sistematizar os dados das pesquisas sobre consumo, foram avaliados a grande demanda das famílias consumidoras em adquirir produtos saudáveis. As informações revelam o interesse dos consumidos pelos produtos e pelas feiras agroecológicas. Na pesquisa realizada com a consumidor João Dias, morador da sede do município de Pilão Arcado, foi identificado que o mesmo comprou diversos produtos, como feijão verde, suco de umbu, maxixe, beiju, buriti, cocá (galinha da angola) e doces. Segundo ele, sua família tem uma demanda de consumo mensal de produtos que poderiam ser fornecidos frequentemente por agricultores familiares.
A construção do banco de dados a partir das pesquisas realizadas com os agricultores e consumidores foi essencial para mostrar a potencialidade produtiva das comunidades e a demanda de consumo dos produtos saudáveis na região.“ Essas pesquisas realizadas para construção desse banco de dados mostra o grande potencial produtivo da nossa região. Eles (os agricultores) mostraram que desenvolvem diversas atividades, criam animais, plantam na roça, beneficiam frutas e ainda produzem de tudo no seu quintal. E quando avaliamos as pesquisas sobre consumo, vimos que os nossos consumidores, além de ter comprado nas Feiras, eles têm uma demanda imensa de produtos que pode ser fornecido de forma continuada pelos agricultores”, explica Joelson Lopes, presidente da ATAF.
Para organizar o banco de dados, os jovens realizaram entrevista durante as Feiras Agroecológicas, como também foram até as casas das famílias consumidoras e até as comunidades das famílias agricultoras, onde nos dois momentos apresentaram questionários para coletar os dados.
De acordo com o jovem Edielson Ramos, integrante da ATAF, a construção do banco de dados foi muito importante para complementar os dados do potencial de produção e consumo apresentado durante as Feiras Agroecológicas. “As feiras em si já mostraram todo potencial de produção e de consumo nos dois municípios, mas as entrevistas realizadas para esse banco de dados é fundamental para nós da ATAF e para as outras entidades da região, mostrar que essa produção é permanente. No período de seca tem umas que minimiza, porém, a construção desse banco mostra que em todos períodos do ano os agricultores tem algo a oferecer aos consumidores. Com esse banco de dados construído temos em mãos uma média da produção anual dos agricultores e a demanda de consumo de produtos pelos consumidores. Isso irá facilitar na formação de redes de consumo nos municípios” diz Edielson.
Realização: ATAF
Parceiros: Jovens Comunicadores/SASOP
Convênio: CAR/Pró-semiárido/SDR/Governo da Bahia/FIDA