Implementação de Sistemas Agrícolas Resilientes e Canteiros da Agrobiodiversidade fazem a diferença no sertão baiano

Projeto Sementes Crioulas incentiva criação de unidades de preservação de sementes e estimula cultura de conservação genética

Com informações de MPA Brasil

Foto: CPC-BA

O Projeto Sementes Crioulas foi construído coletivamente pela Cooperativa Mista de Produção e Comercialização Camponesa da Bahia (CPC-BA), em parceria com o governo do Estado da Bahia – a partir das ações do Pró-Semiárido, junto com o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Serviço de Assessoria a Organizações Populares Rurais (SASOP) e em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Treze municípios recebem apoio do Projeto Sementes Crioulas, nas microrregiões de Senhor do Bonfim e Jacobina, área de atuação da CPC na Bahia. Dentre as ações executadas estão a implantação de Sistemas Agrícolas Resilientes (SAR) e de Canteiros da Agrobiodiversidade. De acordo Jeferson Marques, engenheiro agrônomo e coordenador técnico do projeto pela CPC, as implantações executadas no momento visam a multiplicação das sementes crioulas adaptadas nas comunidades. O coordenador ressalta que todas as ações são previamente planejadas junto à equipe técnica de acompanha o projeto em campo, mas o planejamento só se consolida com discussão e fechamento junto às famílias.

Marques explica que os dois tipos de implantações, os Canteiros e os SARS, são diferenentes, mas que ambas objetivam a multiplicação das sementes crioulas e adaptadas. No caso dos Canteiros estão projetadas a construção de 24 unidades de preservação de sementes. E para a que haja fonte hídrica suficiente, serão construídas cisternas de produção e barreiros, se possível com a tecnologia do Bioágua, que possibilita tratar a água para reuso agrícola a partir das “águas cinzas”, provenientes das pias, chuveiro e da lavagem de roupas. Todos canteiros possuirão sistema de irrigação.

Já o Sistema agrícola Resiliente (SAR) é uma área de maior dimensão, cerca de 0,5 hectare, aproximadamente. Ali serão cultivadas plantas que possuem diferentes finalidades, sob o uso da irrigação, fins alimentícios, forrageiras e para adubação verde. Serão ao todo cinco SARs, dois já estão implantados e três em processo de implantação. Destes, quatro terão a fonte hídrica a partir de poço artesiano e outro via água de barragem.

“Ações como estas são essenciais num momento em que os camponeses vêm sendo ameaçados pelo avanço das sementes transgênicas de forma desordenada, estratégias de intervenções práticas e ágeis são fundamentais para manutenção desse patrimônio que são as sementes crioulas, realizando resgate, multiplicação e conservando esses genes que durante muitas décadas vem possibilitando segurança alimentar para os camponeses e camponesas”.

Jeferson Marques, engenheiro agrônomo e coordenador técnico do projeto

Deixar uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.