Rede Ater Nordeste de Agroecologia apresenta estudo inédito sobre os mercados territoriais que se contrapõem às grandes corporações do setor alimentício

Estudo é fundamental para construir e fortalecer políticas públicas que reforçam a segurança alimentar e nutricional e a adaptação da agricultura familiar no Semiárido às mudanças climáticas

De 15 a 19 de junho, Natal sediará a 1ª Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária – Fenafes. Com a expectativa de reunir 150 cooperativas e associações, 500 expositores e mais de 10 mil visitantes, o evento será uma oportunidade para reflexão sobre as experiências de construção da agroecologia na região, bem como sobre a necessidade de aperfeiçoamento das políticas públicas voltadas à agricultura familiar e à economia solidária.

No que toca ao tema mercados territoriais e a agricultura familiar, a Rede Ater Nordeste de Agroecologia leva para a feira um estudo inédito. Nos anos de 2020 e 2021, as organizações da Rede sistematizaram os aprendizados da construção e gestão de mercados territoriais em 12 regiões de seis estados nordestinos.

Os resultados e ensinamentos obtidos serão apresentados no seminário Reinvenção dos Mercados – Alimento Saudável da Agricultura Familiar no Semiárido, que acontecerá no dia 17, das 14h às 16h, no auditório Babaçu, no Centro de Convenções de Natal.

O que moveu a pesquisa – O que são esses mercados territoriais? Como funcionam? Que benefícios promovem na vida das famílias agricultoras – em especial nas mulheres e juventude – e das famílias consumidoras? Quais políticas públicas têm sido importantes para apoiá-los? Quais são os seus maiores desafios para que se consolidem e se multipliquem?

Foto: Cacheado Braga / Arquivo Cetra

Foi a partir dessas e outras questões que as organizações da Rede Ater bucaram conhecer os mercados territoriais, que são instrumentos decisivos para a ampliação da agroecologia no Semiárido brasileiro.

A pesquisa também permitiu uma maior compreensão da economia das famílias agricultoras que vendem a sua produção nesses mercados. Para condução desses estudos, foi empregado o método Lume de análise econômico-ecológica de agroecossistemas.

Após as sistematizações, foram observados padrões de desenvolvimento dos estabelecimentos familiares. Tais padrões se constituem informações essenciais para que as políticas públicas sejam aperfeiçoadas e potencializem o papel desses mercados.

Foto: Cacheado Braga / Arquivo Cetra

Parcerias – O estudo “Estudo sobre o papel de mercados territoriais no desenvolvimento da agricultura familiar no Semiárido brasileiro”foi viabilizado pela parceria entre a Rede Ater e o Projeto Adaptando Conhecimento para a Agricultura Sustentável e o Acesso a Mercados (AKSAAM, pela sigla em inglês).

A Rede Ater Nordeste de Agroecologia é formada por 12 organizações da sociedade civil que assessoram famílias e coletivos da agricultura familiar com base nos princípios da agroecologia para a construção da convivência com o Semiárido.

A AKSAAM é uma iniciativa do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), executada pelo Instituto de Políticas Públicas e Desenvolvimento Sustentável (IPPDS), vinculado à Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Incidência política – Na sua essência, a 1ª Feira Nordestina da Agricultura Familiar e Economia Solidária se apresenta como um ambiente importante de diálogo entre governos e a sociedade civil para a construção e fortalecimento de políticas públicas de produção de alimentos e abastecimento da população.

Se elaboradas a partir dos aprendizados colhidos em experiências práticas, essas políticas tendem a reforçar estratégias interdependentes, como segurança alimentar e nutricional das populações do campo e da cidade; conservação da agrobiodiversidade; manutenção da fertilidade dos solos; baixo ou nulo emprego de agroquímicos, notadamente de agrotóxicos; promoção de agroecossistemas mais resilientes aos extremos climáticos e menos emissores de gases de efeito estufa; promoção da saúde humana e ambiental; dinamização das economias locais.

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